Deficiência Intelectual

Atualizado: Set 15


A deficiência intelectual é caracterizada como redução significativa nas capacidades intelectuais e habilidades adaptativas. Nessa perspectiva, é esperado que as crianças e adultos com deficiência intelectual apresentem limitações importantes no funcionamento de todas as funções cognitivas, apresentando dificuldades para aprender e compreender, já que a inteligência (capacidade intelectual) engloba, segundo diversos autores:


"as capacidades de aprender a se comunicar (linguagem), aquisição da informação, percepção, memória, raciocínio, pensamento etc., as quais permitem a realização de tarefas cotidianas como leitura, escrita, cálculos, dentre outras”.


As causas da deficiência intelectual, em 40% dos casos são as síndromes genéticas, porém a deficiência intelectual pode surgir devido a 3 fatores: sociocultural, orgânico e genético, apesar que em alguns casos é pouco claro o que pode ter gerado a deficiência devido sobreposição de fatores.


É importante que os pais se atentem aos marcos do desenvolvimento da criança, pois existe a tendência que as dificuldades apareçam logo na primeira infância e em casos mais graves os atrasos ficam evidentes mais cedo. Atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor devem ser investigados assim que forem percebidos pelos cuidadores da criança. Os casos mais leves tendem a apresentar dificuldades no aprendizado durante o início do período escolar no fundamental I.


É importante ressaltar que a deficiência intelectual é uma condição crônica que pode alterar de forma leve, moderada, grave ou profunda o funcionamento dos indivíduos, causando prejuízos em motricidade, linguagem e fala, cognição, domínio pessoal-social e atividades de vida diária, atividades intelectuais (raciocínio, solução de problemas, planejamento, capacidade de abstração, juízo). Sendo assim as pessoas com deficiência intelectual apresentam coeficiente intelectual (Q.I.) abaixo de 70 (avaliado de forma clínica e por testes neuropsicológicos padronizados), déficits nas funções adaptativas (domínios conceituais, sociais e práticos) e elas têm que apresentar essas dificuldades antes dos 18 anos, seguindo os critérios diagnósticos do DSM – V.


É importante ressaltar que o nível de gravidade da deficiência se dá a partir da análise dos comportamentos adaptativos, pois a partir dos comprometimentos apresentados nesses comportamentos é que será oferecido o tipo de apoio necessário para a pessoa desempenhar suas atividades diárias.


A deficiência intelectual leve apresenta como principal característica dificuldades de aprender conceitos acadêmicos, pensamentos abstratos e funções executivas. A pessoa mostra-se imatura para sua idade, a comunicação e socialização são mais concretas. Necessita de pouco apoio para atividades de vida diária e cuidados pessoais.


A deficiência intelectual moderada se caracteriza por atrasos significativos na primeira infância, ficando sempre atrás dos colegas, habilidades pré-acadêmicas se desenvolvem lentamente, ainda conseguem aprender conteúdos acadêmicos (com apoio), porém sempre com limitações em relação aos seus colegas. Desenvolvem algum grau de independência, apresentam uma linguagem com menos complexidade que os pares e dificuldade para compreender pistas sociais. Quando adultos será necessário apoio para desempenhar suas atividades na comunidade.


A deficiência intelectual grave é caracterizada por necessidade de muito apoio para solução de problemas ao longo da vida, o indivíduo geralmente não apresenta compreensão de escrita ou conceitos acadêmicos, a linguagem é bastante comprometida, necessitando assim apoio contínuo. Ainda temos a deficiência intelectual profunda que é caracterizada por dependência em todos os aspectos da vida cotidiana.


Segundo alguns autores existem expectativas em relação as pessoas com deficiência intelectual dependendo dos graus de dificuldade que eles apresentarem. Pessoas com D.I. leve têm boas chances de serem alfabetizadas e conseguir um emprego qualificado, e definitivamente desenvolvem boa fala e habilidades de auto-ajuda; pessoas com D.I. moderado algumas vezes conseguem ser alfabetizadas tem boas chances de desenvolver habilidades de auto-ajuda e trabalho não-qualificado (com ou sem supervisão); pessoas com D.I. grave têm boas chances de conseguirem realizar atividades de auto-ajuda com supervisão, adquirir o mínimo de fala e realizar tarefas domésticas; pessoas com D.I. profundo conseguem algumas vezes desenvolver fala e realizar atividades de auto-ajuda de maneira assistida. É válido lembrar que isso são parâmetros e que sempre é necessário estimular as pessoas que possuem algum grau de deficiência intelectual para desenvolver sua autonomia.


Como é possível perceber a partir das descrições, com apoios corretos e estimulação é possível o melhorar o funcionamento do indivíduo, pois a deficiência não implica, necessariamente, em uma incapacidade geral do indivíduo já que as limitações podem variar, porém é nítido que os graus mais profundos necessitam de maiores apoios.


Autor: Marcelo Medeiros; Graduação em Psicologia - Universidade Presbiteriana Mackenzie; Pós-graduação em Neuropsicologia - CETCC.




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