Psicanálise: a chave que abre o inconsciente

Atualizado: Set 8


Uma das feridas narcísicas do homem é saber que ele não é dono de seus próprios pensamentos e que pode ser dominado por algo. Que sua vida pode ser regida por leis inconscientes que escapam ao seu domínio.

O conceito fundamental da psicanálise é a noção de que o inconsciente é um reservatório de memórias reprimidas de acontecimentos traumáticos que influenciam continuamente os pensamentos e o comportamento consciente. Essas memórias ou ideias são reprimidas, pois suscitam alguns sentimentos desagradáveis.

As memórias desagradáveis e reprimidas sempre buscam uma forma de se manifestar, pois tendem a descarregar energia, por isso estão constantemente buscando uma forma para manifestar-se.

As repetições, os sonhos ou os comportamentos neuróticos são as principais formas de manifestação dos conteúdos inconscientes.

Sigmund Freud (1856-1939) desenvolveu um método de tratamento psíquico e de investigação do inconsciente, denominado psicanálise.

Esse método de investigação baseia-se principalmente nas associações livres do sujeito, que vai contando suas histórias através do diálogo, sonhos, lapsos, atos falhos, repetições, etc.

Freud descobriu que todos esses pensamentos, lembranças, fantasias, tinham relação com os sintomas que seus pacientes apresentavam. Sendo assim, os sintomas possuem uma causa inconsciente e que, através da terapia com associação livre, em que a pessoa fala de si sem qualquer censura, procurando dizer ao terapeuta tudo o que lhe vem à mente, mesmo que tal ideia pareça sem sentido consciente, é possível descobrir o sentimento ou causa inconsciente do sintoma.

Durante a infância, vivemos situações que podem ser traumatizantes, pois nosso ego ainda não está formado e por isso não possuímos capacidade de julgamento. Nesse período gravamos em nossa mente tudo aquilo que nos acontece. Alguns acontecimentos poderiam não ser traumáticos se fossem vivenciados quando adultos, pois este possui uma maior capacidade de discernimento.

Durante a nossa vida, pegamo-nos repetindo algo que não gostaríamos de repetir. Quem nunca viu alguém reclamar: “isso está acontecendo novamente na minha vida?” Ou então, alguém que, por exemplo, na sua infância sofreu o trauma de conviver e apanhar de um pai alcoólatra e quando escolhe um marido repete exatamente a sua relação com o pai? Eu disse escolhe porque, inconscientemente ou conscientemente, fazemos escolhas em todos os momentos de nossas vidas que podem ser repetições de satisfações mal resolvidas.

É claro que muitas pessoas, com exceção dos masoquistas, não querem sofrer e não buscam conscientemente o sofrimento. Mas para algumas pessoas, o sofrimento pode ter ganho secundário, pode significar que, por exemplo, quando se está doente receberá afeto, carinho e atenção. Isso pode ser decorrente de que em determinada circunstância em sua vida, ao ficar doente, recebeu afeto, carinho e atenção de pessoas que gostava. O inconsciente armazenou a seguinte ideia: “quando estou doente as pessoas gostam de mim”. E agora cada vez que se sente carente ou inseguro, a ideia inconsciente é reativada na intenção de obter o prazer sentido um dia. Mas o que acaba acontecendo é que tal satisfação não é atingida. Isso funcionou uma única vez, e provavelmente quando criança, agora isso já não funciona.

Portanto, a terapia é necessária, para ajuda-lo a encontrar novas formas de buscar o prazer e a satisfação de seus desejos, sem que a pessoa precise vivenciar ou repetir traumas de sua infância.

Analisando seu inconsciente, você desvendará os acontecimentos e ideias reprimidas que agem na sua vida e que causam repetições de situações indesejáveis, podendo assim não ser vítima de suas memórias inconscientes.

A psicoterapia não promete um mar de rosas, mas instrumenta o indivíduo a aprender a lidar com os infortúnios da condição humana, com suas fraquezas e limitações. É u instrumento para aprender a viver bem!

Espero que o post de hoje tenha te ajudado de alguma forma! Se quiser mais dicas de estudos, educação, desenvolvimento infantil, acompanhe a SabiaMente nas redes sociais:

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Alessandra Bizeli Oliveira Sartori

Pedagoga - Unopar

Psicopedagoga - Unifev

Mestre em saúde da criança e do adolescente - UNICAMP

Especialista em Reabilitação Neuropsicológica - IPAF

Mediadora de Pei (Programa de Enriquecimento Instrumental) pelo International Institute for the Enhancement of Learning Potential de Feuerstein (Israel)

Extensão em Psicanálise

Docente de cursos de pós-graduação


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