Entre o possível e o imaginário

Atualizado: Set 3


Há muito e muito tempo as pessoas se preocupavam em desejar um bom dia, em perguntar como você estava se sentindo... Em querer ouvir e saber se os outros estavam bem. Dizem que esse tempo ficou no passado. Mas será que podemos afirmar que isso aconteceu ou será a nossa falta de consciência que nos impulsiona a querer apenas perceber a nós mesmos...? Como pode existir um reino onde os súditos sejam felizes enquanto o rei apenas pensa na sua roupa... em seus sapatos... em ser o mais belo de todos os mortais? Um dia este rei descobrirá que está nú. Que aquilo que aparentava ser, ou que desejava ser, não existe.


Por que em um determinado momento da nossa vida percebemos que não somos tão perfeitos, tão completos e tão plenos? Qual o limite das nossas expectativas em relação ao mundo e a nós mesmos num cotidiano contemporâneo repleto de consumismos concretos e morais, que parece exigir e aprisionar cada vez mais das pessoas? Será o mundo ou aqueles que o constroem?

O final do século XX e nosso início do século XXI têm como características certas patologias psicológicas como a depressão, a insatisfação pessoal e a profunda tristeza. Somos como Narcisos e o espelho das águas tem refletido dor e sofrimento. Mas viver objetivando realizar nossas expectativas de forma a fazer com que esse mundo ‘perfeito’ que criamos se torne realidade, além de ser impossível, é aprisionante. Temos que conciliar aquilo que gostaríamos de ser com aquilo que somos e buscar identificar e relacionar nossas possibilidades considerando o desejo com a realidade. Essa conciliação não nos traz plenitude, mas certamente é muito mais flexível. Permite-nos melhorar, seguir novos caminhos e arriscar.

Será que um dia, ouvindo alguém nos dirigir palavras de maneira sincera, descobriremos que estamos nus de tudo aquilo que acreditamos ser? Temos dificuldade em perceber nossa essência. De entrar em contato com o que realmente somos, sem roupas, sem máscaras... É mais fácil perceber o outro, que a nós, e apontar os defeitos alheios, pois isso nos exime de olhar para dentro e para nossas dores. Pensamos ser mais fácil mudar aquele que consideramos errado e nessa tentativa geralmente frustrada, muitas vezes utilizamos críticas que nos 'parecem' construtivas.

Não é tarefa fácil descobrir e tomar ciência daquilo que realmente somos, e para que isto aconteça, precisamos ‘implicar’ com nossas questões emocionais, com nossa história de vida, com aquilo que pouco a pouco foi nos constituindo. Nossos traumas, nossas decepções, nossas angústias e também as coisas boas que vivenciamos, nossos momentos alegres, instantes mágicos vividos na infância, enfim... tudo aquilo que vivemos forma nosso inconsciente e aquilo que somos.

Algumas memórias são reprimidas por carregarem uma grande quantidade de afeto e sentimentos desagradáveis. Porém, essas sensações que nos oprimem acabam se manifestando através de repetições de situações indesejáveis e influenciando nossas decisões inconscientemente ao longo de nossa vida. Em alguns casos podem levar a pessoa a desenvolver as tão conhecidas patologias contemporâneas, que podem ser somatizadas, gerando doenças físicas, além de psíquicas.

Olhar para dentro de nós requer coragem e determinação, mas com certeza é gratificante, pois é o caminho para o encontro do essencial e, recebemos como presente a liberdade para viver e fazer escolhas de maneira consciente.

Helen Keller, uma renomada escritora cega e surda que, ao invés de lastimar-se pelo seu infortúnio, superou os obstáculos tornando-se símbolo de coragem, afirma “quando a porta da felicidade se fecha, outra se abre, mas normalmente olhamos tão intensamente para a porta fechada que não vemos a outra que se abriu para nós”.

Precisamos despertar o que existe de melhor e relegar frases como: “Eu nunca poderia...”, “Eu não mereço...”, “Eu não devo...”, “Eu não tenho capacidade para isso...”. Estas afirmações são crenças negativas que acabam nos programando e impondo-se como verdades 'infundadas'.

Permita-se desvendar quem é! A não ser tão autocrítico! A encontrar novas formas de buscar prazer e satisfação de seus desejos, que não pela via da repetição! Seja dono do seu próprio destino, se conhecendo e amando como realmente é! Pois tudo é reflexo do que desejamos, consciente ou inconscientemente.

Olhar-se despido, certamente é uma opção pelo conflito temporário, que resultará numa consciência plena, que tramita entre o possível e o idealizado.

Bom, espero que o post de hoje tenha te ajudado de alguma forma! Se quiser mais dicas de estudos, educação, desenvolvimento infantil, acompanhe a SabiaMente nas redes sociais:

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Alessandra Bizeli Oliveira Sartori

Pedagoga - Unopar

Psicopedagoga - Unifev

Mestre em saúde da criança e do adolescente - UNICAMP

Especialista em Reabilitação Neuropsicológica - IPAF

Mediadora de Pei (Programa de Enriquecimento Instrumental) pelo International Institute for the Enhancement of Learning Potential de Feuerstein (Israel)

Extensão em Psicanálise

Docente de cursos de pós-graduação


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